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Celular: Tecnologia, Fetiche e Pobreza

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Sabe aquela frase: “O número chamado encontra-se fora da área de cobertura ou desligado”, que tantas vezes se ouve no celular? Em breve ela será assim: “O número chamado encontra-se fora da área de cobertura, desligado ou o miserável proprietário não tem forças suficientes para atende-lo”.




Celular Popular: miserável, mas com mobilidade telefônica!

Ponto 1: O Celular Popular
Depois apresentar o carro mais barato do mundo, a Índia ataca novamente, uma empresa de lá pretende produzir o “Celular Popular”. O novo modelo, que foi lançado no Congresso Mundial de Telefonia Móvel, em Barcelona, será vendido por menos de 20 dólares por aparelho. O objetivo do esperto empreendedor é: “atender alta demanda por celulares baratos em mercados emergentes”, que pode ser traduzido por “vender celular para pobre”.

Ponto 2: Brasil - O Emergente Móvel
Nosso “rico” país fechou o ano de 2007 com cerca de 118 milhões de celulares ativos. Segundo o relógio populacional do IBGE , somos mais de 186 milhões de habitantes, portanto, mais de 63% dos brasileiros já estão “chiques”, podem falar ao celular, como os japoneses, suecos e outros ricos. Legal isto, né!? Se quiser, um brasileiro “pé de chinelo” pode ligar do interior do Acre para um milionário qualquer, confortavelmente instalado em algum luxuosíssimo resort, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Acho muito bom o celular, mas, se não me engano, por aqui existem algumas outras necessidades não atendidas, são coisas bobas como alimentação, saneamento básico, saúde, educação e segurança, que, parece-me, deveriam ser prioritárias sobre a mobilidade telefônica. Será que estou enganado? Em quanto o fato de passarmos a ter 118.000.000 de celulares contribuiu para a melhora da qualidade de vida no Brasil? Um país onde há favelas, dengue, febre amarela, chacinas...

Ponto 3: O Fetiche Tecnológico Malévolo
A etimologia, o estudo da origem e formação das palavras, explica que o termo fetiche é parente próximo de feitiço, ou seja, ele também enfeitiça. O termo é usado para designar um objeto de admiração, reverência ou devoção extrema ou irracional. Os telefones celulares são um fetiche mundial. Paga-se por um minuto de conversa nele algo que equivale a entre cinco e dez vazes o custo em um telefone fixo. O preço de 10 minutos de ligação é maior do que o valor de uma refeição na maior parte do mundo. Quanto isto é racional? Quanto as pessoas estão dominadas pelo objeto do desejo?
Sempre, quase intuitivamente, pensei na tecnologia como algo bom e que faz prosperar a humanidade. Este caso, em particular, fez com que a aura de benevolência que eu via na tecnologia se trincasse. Talvez, tenha sido partida irremediavelmente.
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