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Fé, dinheiro e hipocrisia

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Tenho um amigo que trabalha na prefeitura de nossa cidade e é chefe do cadastro imobiliário. Certo dia, falando de imóveis ele perguntou se eu saberia dizer quem era o maior proprietário de imóveis urbanos em nossa cidade. Chutei uns três ou quatro dos grandes ricos da região e errei todos. Então ele me disse que era a Cúria Diocesana, que ela possui mais imóveis que a prefeitura e as duas universidades que aqui existem juntas.

Curiosamente, ontem assisti num jornal da tv um bispo ligado à pastoral da terra defendendo o vandalismo e os saques praticados pelo MST. Ele também culpava o agro-negócio pelos problemas, numa total inversão de valores. O agro-negócio é o que tem sustentado este país nos últimos anos, exportando milhões e milhões de toneladas de produtos agropecuários e pondo nas nossas mesas o que comer. Parece-me uma total inversão de valores, os bandidos devem ser defendidos e que trabalha e alimenta é culpado pelo banditismo.

Mercantilização da imagem do Papa.

Publicada no Jornal O Estado de São Paulo

Que os fiéis perdoem, mas o papa dá lucro


Cidade natal de Bento XVI, eleito há exato um ano, tenta afastar a imagem mercantilista, mas segue ganhando

Marco Justo Losso
MARKTL AM INN, ALEMANHA

A vida em Marktl am Inn não é mais a mesma de uma cidade tranqüila, com ares medievais no interior da Baviera. Depois da escolha do cardeal Joseph Ratzinger para o posto mais alto da Igreja Católica, há exatamente um ano, o pequeno vilarejo de 2.700 habitantes mudou "da noite para o dia", segundo palavras do padre da cidade, Josef Kaiser, e desde então vive em razão da imagem do papa.

A mudança foi brutal. De 2 mil a 3 mil visitantes por ano, a cidade já contabiliza 125 mil turistas e peregrinos de todas as partes do globo desde a eleição de Bento XVI. Italianos, brasileiros, australianos e até uma equipe da TV árabe Al-Jazira visitaram o local. De cartões postais a santinhos, do Pão do Vaticano à Torta Bento, passando pela Cerveja do Papa, os moradores de Marktl am Inn lucram o que podem com o filho ilustre.

Mas o comércio não está rendendo boa imagem para a cidade. Agora, o tema é tabu e todos querem mostrar que não há só mercantilismo. O motivo da mudança é a reação do bispo de Munique, que criticou o comércio na cidade nos últimos tempos e não confirmou a passagem do papa pelo vilarejo durante sua visita à região sul da Alemanha, programada para setembro.

"Não fazemos mais a Cerveja do Papa aqui", declara preocupado ao Estado o prefeito Hubert Gschwendtner. Mas a Cerveja do Papa feita em Tann, um outro vilarejo da região bávara, continua a ser vendida nos dois mercados da cidade e pela internet, com o preço de 14,95 para a garrafa de 2 litros e 3,80 para a de 500 ml. Ao lado da Igreja de Saint Oswald, onde Joseph Ratzinger foi batizado, a confeitaria e doceria Winzenhõrlein oferece o famoso Pão do Vaticano, a 1, e a Torta Bento, a 1,30. A proprietária, conhecida como Frau Lotte, acredita que o comércio é normal e que "seus produtos são gostosos". Quanto ao lucro depois da eleição de Ratzinger, ela diz que melhorou, mas não revela quanto.

Grande parte dos moradores de Marktl é católica - cerca de 80%. A apreensão com o efeito das declarações do bispo de Munique é grande. "Muito do que ocorre em Marktl não corresponde à honra e ao ofício do papa", afirmou, no fim de março, o cardeal Friedrich Wetter, bispo da capital bávara.

Para mudar esse quadro, o prefeito Gschwendtner convocou todos os moradores que estavam lidando com a imagem do papa e pediu que o comércio de "mau gosto" fosse coibido. "A mídia alemã passou uma imagem negativa da cidade e muitas críticas chegaram. Fizemos um apelo a todos para que evitassem produtos que não ressaltassem a espiritualidade, como a cerveja ou a salsicha do papa", revelou Gschwendtner. O padre da paróquia de Marktl também contribuiu para a campanha do prefeito. "Pedimos que todos que fazem comércio aqui sejam mais atenciosos e saibam o que estão fazendo com o papa", acrescentou Kaiser.

Para impulsionar o crescimento da cidade, que conta com apenas uma pensão, a comuna da região de Marktl investiu 300 mil na criação de um Centro de Informações Turísticas, aberto em agosto do ano passado, e na construção de um grande estacionamento com mil vagas.

Para o prefeito, a cidade gasta mais do que lucra com o papa Bento XVI. "O que ganhamos com os investimentos, além da infra-estrutura que fica para a cidade, é um abatimento de 35% a 60% nos impostos do governo da Baviera."

Recentemente, foi anunciada a venda da casa onde Joseph Ratzinger nasceu e passou dois anos e meio da sua infância. Segundo informações da imprensa alemã, o valor pago pela Fundação Geburtshaus Papst Benedikt XVI (Casa de nascimento do Papa Bento XVI) chegou a 3,5 milhões. O governo da Baviera contribuiu com 1 milhão.

Mais de 400 pessoas mostraram interesse na aquisição da casa número 11, propriedade de Claudia Dandl, que morava ali com seus dois filhos. A casa será reformada e transformada no Museu do Papa, com atrações sobre a vida e a trajetória de Joseph Ratzinger até Roma. "O museu deve ficar pronto até o fim deste ano ou no início de 2007. Aí sim poderemos construir um hotel e melhorar nossa estrutura para receber mais pessoas em Marktl", diz Gschwendtner.
Se Bento XVI visitará a cidade, ninguém sabe. "Não posso imaginar que ele não venha aqui", afirma o padre Kaiser. Se ele não vier, com certeza os cidadãos de Marktl vão até Roma. "Em junho, 70 pessoas daqui viajarão até o Vaticano para uma audiência com o papa", avisa padre Kaiser.

2 comentários:

Soraya disse...

Caro colega, quem editou essa reportagem usoU de má fé em cima da ignorância das pessoas mal informadas. A Igreja Católica apesar de erros graves em sua hierarquia, não tem nada haver com esse comércio paralelo feito por aproveitadores a cata de lucros a qualquer preço. Você deve aprender separar o que "Igreja Católica Apostolica Romana" da "fé popular" baseada distantemente da doutrina cristã católica. Há os homens vocacionados dentro da Igreja que receberam um chamado de Deus para uma missão específica, porém por outro lado há os "aproveitadores" que entraram na Igreja com segundas inttenções, a fim de usar o cargo que ocupa para ter poder e adquirir riquezas, e ainda utilizar desses mecanismos com abuso de poder. Os fiéis Católicos tem que conhecer seus direitos dentro da Igreja e não aceitar esse tipo de comportamento irresponsável como sacerdote de Cristo, se assumiu um lugar de "Pastor de almas" que tange a Salvação eterna dada po Jesus, eles tem a obrigação de cumpri-las com total respeito, pois ninguém os obrigou a serem Padres e viverem no Celibato e castidade, se entraram foi porque quiseram, então agora devem cumprir com responsabilidade ou caiam fora. Há muitos padres que dão vida e o sangue para o bem do povo, são os verdadeiros vocacionados chamados por Deus, mas como diz no Novo Testamento "os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da Luz". POVO CATÓLICO SE O SEU PADRE NÃO CONDIZ COM A SÃ E VERDADEIRA DOUTRINA CATÓLICA, REUNA A COMUNIDADE E CHAME ATENÇÃO E COBRE MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO E SE ESSAS NÃO ACONTECER VÁ AO BISPO E PEÇA A RETIRADA DESSE IRRESPONSÁVEL PARA COM O REINO DE DEUS. VOCÊS TEM DIREITO POIS QUEM MANTÉM A IGREJA SOMOS NÓS E OS PADRES SÃO APENAS SERVOS DOS SERVOS.

Blogante disse...

Prezada Soraya,

Só Duas observações:
-Não há má fé alguma em descrever os fatos.
-Toda sua argumentação se baseia no que “deveria” ser a igreja, enquanto a reportagem menciona o que é a igreja